Análise: Cuphead


É certo que Cuphead é sobre fazer um acordo com o diabo, mas o jogo do StudioMDHR é tão malicioso, impiedoso e cruel, atrai o jogador com sua deliciosa animação, promete um banho de nostalgia da infância, cercado por um visual de desenho animado. No momento em que batalhas o primeiro chefe, o jogo deixa-te a arrancar cabelos.


O jogo é tão desafiador e bonito. Cuphead exige muito do jogador, mas não dá muito em troca, uma fórmula muito bem conseguida e viciante.

Cuphead muda a estrutura típica dos jogos de plataformas, as batalhas dos Bosses são a principal atração. Cada uma das suas três ilhas é o lar de cinco ou seis chefes únicos cujas almas deves coletar para cumprir a negociação mal intencionada de Cuphead com o Diabo. Há o nível ocasional de "run-n-gun", que é mais como um jogo de salto tradicional, basicamente uma distração para as batalhas dos Bosses.


A nível conceitual, isso funciona muito bem com o tema e estética do jogo. Cada batalha parece um desenho animado dos anos 30, com um cartão inicial a preto e branco onde se pode escolher a dificuldade e depois as linhas de narrador bem inseridas no início da batalha.

A batalha conta com várias fases e a dificuldade é crescente, durante a batalha, o chefe vai avançando através de diversas formas (cada vez mais extravagantes) e difíceis de combater.


O mais impressionante no jogo, é a mistura sinistra das animações, a maneira como os personagens sorriem de forma malévola, a maneira como os olhos são negros e assustadoras e como os cartoons lidam com a morte.

Um bom exemplo é como um chefe que transforma-se em uma lápide na sua forma final, enquanto tenta esmagar o Cuphead
A creatividade neste jogo é espetacular, desde a natureza das animações, o surrealismo dos personagens, até à soundtrack original composta por músicas jazz.

Cada estágio de Cuphead é simultaneamente um cenário de sonho carnavalesco e um pesadelo grotesco. É uma experiência estranha, quase hipnótica. Cuphead não tem dó sobre a sua dificuldade. Cada chefe tem em torno de quatro fases e como padrão, só tem três pontos de saúde antes que ele morra e o nível reinicie, dominar essas lutas é difícil, é necessário aprender todos os movimentos de cada fase e descobrir exatamente como os evitar.


A dificuldade do jogo está bem distribuida, cada batalha não dura mais de 3 minutos, por isso perder a batalha não é tão doloroso como, por exemplo, é no Dark Souls. Cuphead ainda perdoa em certa parte, por oferecer uma loja onde podes gastar coins (obtidas durante o jogo) para comprares perks que vão desde os boosts de saúde até mesmo ao Dash invisível.

Mesmo com esses perks, algumas batalhas são muito difíceis, algumas em que fiquei com a ligeira impressão de que ia esmagar os botões a qualquer momento por conta de elementos que os desenvolvedores colocam de forma a parecer "inocente" e ela te matar em segundos. Ou seja, os desenvolvedores estão basicamente a irritar o jogador. (Parabéns, conseguiram isso mesmo)


Para batalhar os oponentes, Cuphead conta com várias habilidades ao seu dispor. O ataque básico é o pea-shooter que dispara balas continuamente ao inimigo, em adição existem as cartas que "carregam" e ativam uma variedade de ataques que vão desde se transformar em uma bomba até mesmo disparar refrigerante pela palha que ele tem na cabeça. Esses ataques, apesar de bem animados, não oferecem feedback visual, até porque eles acabam por fazer o Boss passar para a fase seguinte mais depressa.


Consequentemente, as batalhas têm pouca informação. Não existem informações visuais para dizer que estás a 50%, 70% ou qualquer outra percentagem do fim da batalha nem mesmo qualquer tipo de indicação acerca da saúde do oponente, o que no final pareça que o jogador não ganhou a batalha, mas que sobreviveu à batalha.

Apesar dessas falhas, o jogo conta com a dificuldade e visual retrô, com as suas animações feitas à mão, visualmente dinâmicas e estáticas ao mesmo tempo, Cuphead promete boas horas de diversão e muita irritação.

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Idealizador e criador do projeto 1UP, vive em Portugal.
Entusiasta de vídeojogos e tudo o que seja tecnologia.
Atualmente gere e escreve artigos na Revista Digital 1UP.

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